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The Look of Love

maio 30, 2013

The Look of Love
Diana Krall, piano e vocal

gravadora: Verve (EUA)
distribuidora: Universal (Brasil)

músicos participantes: Romero Lubambo:
guitarrista e violonista / Claus Ogerman: arranjos / Russell Malone, John Pisano e Dori Caymmi: guitarras e violões / Christian McBride: baixo / Peter Erskine, Jeff Hamilton: bateria / Paulinho da Costa, Luis Conte: percussão

data de lançamento: Setembro de 2001 (EUA e Brasil)

S’Wonderful
Love Letters
I Remember You
Cry Me A River
Besame Mucho
The Night We Called It A Day
Dancing In The Dark
I Get Along Without You Very Well
The Look Of Love
Maybe You’ll Be The

Resenha ejazz

Este é o sexto disco da carreira da cantora e pianista canadense Diana Krall. Como talvez o leitor já saiba, Krall é uma das cantoras que mais rapidamente foram alçadas pela mídia, na segunda metade dos anos 90, à condição de “nova diva” do jazz. O investimento na imagem de Diana Krall tem sido pesado, nitidamente maior do que o recebido pela maioria das outras cantoras. A foto da capa de The Look of Love, que já deixa bastante clara a intenção da gravadora de fisgar o público pelo olhar, é apenas a ponta de um verdadeiro iceberg de marketing. Isso, a despeito da irritação que a própria Diana tenta demonstrar quando perguntada se seu sucesso se deve em parte à sua imagem, digamos, “hollywoodiana” (o trocadilho não foi intencional, acreditem). De qualquer modo, o investimento tem tido retorno certo: as vendas dos discos de Krall estão na casa dos milhões de cópias.

A voz de Diana Krall é agradável de ouvir, num registro de contralto, em alguns momentos ligeiramente rouca e velada, exibindo uma quase total ausência de vibrato que lhe dá uma qualidade fortemente “falada” ou “sussurrada”, indubitavelmente sedutora. Isso sem dúvida deve agradar muito a uma grande parcela do público, que se acha mais familiarizada com a música pop de extração conservadora do que com o jazz. A extensão vocal é bastante limitada: Diana demonstra ter problemas ao encarar qualquer nota mais aguda, principalmente nos finais de frases ascendentes. Limitada também é a paleta de timbres que sua voz consegue assumir.

O fato de o repertório do disco se compor totalmente de baladas certamente ajuda na sua aceitação comercial, porém é claro que não representa, em si mesmo, necessariamente um ponto fraco. (Afinal, quantos grandes discos de jazz não foram constituídos apenas por baladas?) Porém a interpretação que Diana Krall imprime às canções do disco chega a chamar a atenção pelo seu caráter sucinto. Ela se limita a expor a letra, sem nenhuma ousadia em termos musicais. Apesar do tom intimista, parece haver na abordagem de Diana aos temas uma curiosa frieza, um certo alheamento em relação às implicações e desdobramentos escondidos dentro de cada linha melódica ou célula rítmica. Embora elegantes, as interpretações de todas as canções são incomodamente parecidas entre si. No que tange aos elementos essenciais de qualquer execução jazzística – swing e improvisação – essa impressão de distanciamento se acentua. O fraseado tendendo ao falado torna difícil identificar onde está o swing. Acima de tudo, não existe nenhuma improvisação, nenhuma ornamentação, nenhum desenho melódico ou síncopa surpreendente, nem sequer um compasso de scat singing.

Os músicos que acompanham Diana em The Look of Love são de excelente nível: Romero Lubambo a guitarra e violino, Christian McBride ao contrabaixo, Dori Caymmi ao violão, Russell Malone e John Pisano à guitarra, Peter Erskine e Jeff Hamilton à bateria, Luis Conte e Paulinho da Costa à percussão. Porém os acompanhamentos são discretos, cumprindo exclusivamente a função de proporcionar uma moldura à voz da vocalista. A propósito, é interessante notar que metade deles se vale de batidas de bossa nova (em “S’wonderful”, “I remember you”, “Besame mucho”, “Dancing in the dark” e “The look of love”). Os arranjos de cordas de Claus Ogerman, onipresentes em todo o disco, rigorosamente convencionais e previsíveis, diluem ainda mais o conteúdo jazzístico, e em nada contribuem para afastar a impressão de este é um produto feito com propósitos mais comerciais do que musicais.

Neste disco o piano de Diana Krall pouco aparece, o que chegou a ser lamentado por alguns críticos. O fato de Diana ser também pianista foi muito citado, nos últimos anos, como uma evidência a mais de que ela reunia as condições necessárias para ser a diva máxima do jazz. Quanto a isso, é preciso esclarecer desde logo: ela é uma pianista de recursos bastante modestos.

Tudo bem pesado e considerado, o resultado de uma análise do novo disco de Diana Krall terá que se resumir ao seguinte: ela pode ser uma chanteuse popular agradável e até sedutora, mas este seu The Look of Love tem importância estritamente decorativa. Não traz rigorosamente nada de propriamente jazzístico para o ouvinte, muito menos acrescenta algo de novo ao universo já um tanto saturado da música vocal. Indicações: no máximo, para se ouvir como fundo musical à luz de velas, caso se apresente a ocasião…

Valter Alnis Bezerra

http://www.ejazz.com.br/lancamentos/detalhes-diana.asp

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4 Comentários
  1. adrianosaldanha permalink

    é o melhor dela até hoje!!! sempre ouço!

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