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MOANIN’

maio 29, 2013

Qualquer ouvinte de jazz do planeta tem uma dívida impagável com o baterista norte-americano Art Blakey. Com seu The Jazz Messengers, ele lançou nomes como Donald Byrd, Johnny Griffin, Benny Golson, Lee Morgan, Wayne Shorter, Freddie Hubbard, Chuck Mangione, Woody Shaw, Cedar Walton e Wynton Marsalis.

Antes de se tornar líder de seu próprio grupo, Blakey já tinha tocado com artistas como Billy Eckstine, Dexter Gordon, Thelonious Monk, Sonny Stitt, Miles Davis, Charlie Parker e Dizzy Gillespie.

O legado de Blakey pode ser ouvido em quase uma centena de discos lançados em meio século de carreira. Durante todos esses anos, o baterista sempre revelou novos talentos para o mundo do jazz e contribuiu como poucos para o fortalecimento do ritmo entre os jovens músicos. Apesar da árdua tarefa de indicar um único disco de Blakey, vamos falar sobre uma obra-prima indiscutível de sua carreira, Moanin’.

Lançado em 1958, Blakey traz aqui a terceira formação dos Jazz Messengers. São eles: Benny Golson (sax tenor), Lee Morgan (trompete), Bobby Timmons (bateria) e Jymie Merritt (baixo). Vale dizer que Morgan tinha apenas 20 anos de idade e ainda bem longe de se tornar famoso como seu disco Sidewinder, de 1963. Outro destaque é o sax tenor de Golson, na época com 30 anos, que trouxe seu toque inconfundível e composições que se tornariam clássicos do jazz.

O disco abre com a faixa-título composta por Timmons. Com quase 10 minutos de duração, a música começa tranqüila e vai ganhando corpo até chegar ao ápice com o confronto entre Morgan e Golson. Além disso, “Moanin” abre espaço ainda para solos de Timmons e Merritt. Em seguida é a vez de “Are You Real”, na qual o hard bop mostra-se por inteiro. Na clássica “A Long Came Betty”, composta por Golson, o saxofonista faz um dos mais belos solos de todo o álbum.

A bateria de Blakey aparece por inteira em “The Drum Thunder Suíte”. Segundo o próprio baterista, a música foi composta por Golson para que ele pudesse tocar com as baquetas mallets, usadas normalmente em vibrafones. Para um ouvinte não iniciado, a peça poderá soar estranha, mas a proposta de “Drum Thunder” não é ser popular, mas sim instigante.

O álbum ainda traz “Blues March”, com destaque para os solos de Timmons e Blakey, e a regravação do clássico de Harold Arlen “Come Rain or Come Shine”, no qual o grupo mostra-se mais comedido, mas não menos criativo. Para comemorar 50 anos do disco, em 1999, a série The Rudy Van Gelder Edition relançou o CD disco com uma faixa a mais, uma outra versão de “Moanin’”.

Art Blakey morreu em outubro de 1990, aos 71 anos. Assim como aconteceu com as recentes mortes de Elvin Jones, em 2004 e Max Roach, em 2007, a ausência de Blakey é algo irreparável para o jazz. Por outro lado, a herança deixada por ele é um bem inestimável para os ouvintes de jazz e uma história a ser seguida por outros músicos.

Para quem não se contenta em apenas ouvir o disco, fica aqui uma outra dica. Procure o DVD de Art Blakey lançado recentemente pela série Jazz Icons. Gravada poucos meses após o lançamento de Moanin’, a apresentação aconteceu na Bélgica e traz a mesma formação do disco. É um documento histórico e obrigatório em qualquer coleção.

http://www.sobresites.com/jazz/dicascd/blakey.html

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