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À FLOR DA PELE

maio 29, 2013

Para quem é leitor assíduo do Guia de Jazz, esta dica de CD poderá ser uma surpresa. Mas é por uma boa causa que estamos quebrando nossa regra de indicarmos apenas álbuns de músicos estrangeiros. É importante deixar claro que não temos nada contra a música instrumental brasileira, pelo contrário, o Guia tem um tópico específico sobre os músicos tupiniquins. Neste tópico mesmo, nomes como Egberto Gismonti, Oscar Castro-Neves e Tom Jobim já foram destaques.

No início dos anos 90, o cantor Ney Matogrosso e o violonista Raphael Rabello fizeram história ao gravarem o disco À Flor da Pele, show que arrastou milhares de pessoas por onde passou. Com carreiras e idades distintas, Ney e Raphael se encontraram na hora e no momento certo. O disco traz “apenas” a voz de Ney e o violão inconfundível de Raphael interpretando grandes compositores da música popular brasileira como Cartola, Noel Rosa, Tom Jobim, Herivelto Martins, entre outros.

O CD abre com dois clássicos de Jobim, “Modinha”, em parceria com Vinicius de Moraes, e “Retrato em Preto e Branco”, composta com Chico Buarque. Em seguida é a vez do samba canção “Molambo”, de 1953, e “Da Cor do Pecado”, imortalizado na voz de Elizeth Cardoso. O primeiro grande momento acontece com “No Rancho Fundo”, obra-prima de Ary Barroso e Lamartine Babo, seguido da boemia de Noel Rosa em dois momentos, “Último Desejo” e na deliciosa “Três Apitos”.

Para quem acha que a paixão de Ney Matogrosso pelo repertório de Cartola é recente – em 2003, Ney gravou um disco só com canções do compositor da Mangueira – aqui estão duas interpretações de tirar o fôlego, “Autonomia” e a inesquecível “As Rosas Não Falam”, com destaque para o arranjo de Rabello. O repertório ainda tem surpresas como “Negue”, “Caminhemos/Segredo”, “Na Baixa do Sapateiro”, “Vereda Tropical” e “Balada do Louco”, clássico dos Mutantes composta por Arnaldo Baptista e Rita Lee.

Infelizmente, a parceria entre Ney e Raphael nunca mais será possível após a morte prematura do violonista em 1995, aos 32 anos de idade. Mas, Raphael deixou gravações antológicas ao lado de Paulo Moura, Dino 7 Cordas, Nelson Gonçalves, Radamés Gnatalli, Elizeth Cardoso, Tom Jobim, Romero Lubambo, entre outros. Já Ney Matogrosso continua nos palcos encantando platéias com seu talento e ousadia.

Neste momento, novembro de 2006, por incrível que pareça, o CD está fora de catálogo e não há previsão da gravadora Som Livre em relançá-lo. Mais uma vez o mercado fonográfico – que contabilizou em 2005 uma queda de 12,9% no faturamento e 20% no número de unidades vendidas em comparação a 2004 – perde uma ótima oportunidade de colocar em circulação um álbum essencial.

http://www.sobresites.com/jazz/dicascd/ney.htm

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