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Paul Smith, com Ella na TV

maio 22, 2013

Corria o ano de 1960 quando em abril foi anunciada a vinda de Ella Fitzgerald ao Brasil. No Rio apenas uma apresentação na TV Tupi no dia 28 e outra no Copacabana Pálace em primeiro de maio. O que me animou para ir assistir foi a formação do grupo de acompanhamento integrado por Roy Eldridge (tp), Paul Smith (p) , Jim Hall (g)-Wilfred Midlebrooks(b) e Gus Johnson Jr. (dm) .
Meu maior interesse era o pianista Paul Smith, do qual já possuía alguns álbuns, sendo que o primeiro “Liquid sounds”, um dez polegadas, ganhei num Jazz Teste do programa de Paulo Santos. Era um sexteto que se caracterizava pela sonoridade diferente, com uníssonos de flauta, clarinete e guitarra, sustentados pela rítmica com amplo destaque para o piano do líder. Meu segundo álbum de Smith intitulava-se “Cascades” e tinha as mesmas características do primeiro. Até que comprei no Jonas, nas Lojas Murray, um album de quarteto , “Softly, baby ” com Smith acompanhado por Barney Kessel(g), Joe Mondragon(b) e Stan Levey (dm). Considero ainda hoje uma das obras primas de Jazz de pequeno conjunto. A técnica de Smith está presente, realçando o bom gosto nos improvisos e a trama harmônica que organizava com Barney Kessel na execução do repertório que tinha, e tem em “Invitation” de (Bronislau Kaper) um dos destaques.
Assim, partimos para a Urca levando os álbuns na esperança de vê-los autografados .
Muita gente aguardando a liberação da entrada, fortemente guardada por fortes porteiros. Ao entrarmos, notamos que o espaço estava dividido por uma corrente, com o objetivo de separar o público da entrada dos artistas. A corrente só seria retirada após Ella e seus músicos chegarem. Foi uma boa espera. O grupo chegou,foi para os camarins e nada de liberarem a entrada. Encostei junto a uma cortina e esperei pacientemente.
Foi quando ouví um trumpete assurdinado, acompanhado por um contrabaixo. Afastei a cortina e surgiu uma porta. Lentamente girei a maçaneta e quando ví estava na “cara do gol”. A poucos possos Roy Eldridge “esquentava os motores” acompanhado por um precioso “walkin bass” produzido por Wilfred Midlebrooks. Não durou nada esse privilégio.Quando ví estava sutilmente seguro pelo braço e gentilmente convidado a me retirar do recinto. Paciência !
Finalmente baixaram a corrente e liberaram a entrada. Subimos para a “prateleira” e por sorte sentei ao lado de Tenório Jr. Dialogamos durante todo o espetáculo e não me esqueço da expressão de Tenório quando Paul Smith, após Jim Hall, executou um solo em altíssima velocidade (“Blues a la P.T.” ) . “ Lula, ligaram a tomada no cara ! “.
Quanto a Ella, exuberante como sempre, afinadíssima e sempre de bom humor . Anotei o repertório em uma folha de papel que lamentavelmente se extraviou. Ainda assim, me lembro de “Night and day”, “Just one of those things” e o indispensável “How high the moon”, quando duelou em “scat” com Roy Eldridge.
Terminado o espetáculo descemos as escadas correndo com o objetivo de sermos um dos primeiros a chegar ao lado dos músicos . Decepção ! A tal corrente fora recolocada e o isolamento restabelecido. Vi as coisas difíceis pois os músicos sairiam direto para os taxis que já esperavam. Foi quando ví Paul Smith. Aflito, gritei seu nome e ele me olhou desconfiado. Acenei com seus discos e ele então fez sinal para que o porteiro me liberasse. Foi obedecido e então cheguei perto e entreguei-lhe os discos para os autógrafos. Sorriu enquanto autografava e disse que pensava que não era tão conhecido por aqui. Voltei triunfante para o “cercado”.

http://cjub.com.br/historiasdojazz.html

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