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O Programa de Gillespie

maio 22, 2013

Essa aconteceu em maio de 1986 e integra também a série “Boicotes”. Estava no “plantão trabalhista” em minha repartição, quase no final do expediente, quando fui procurado por uma senhora muito bem vestida e perfumada.
Perguntei-lhe sobre a consulta que queria fazer e a resposta me surpreendeu. Queria falar comigo em particular. Encerrado o expediente, ela esclareceu o motivo da visita.
Queria me contratar para escrever o texto do programa das apresentações do quinteto de Dizzy Gillespie no teatro do Hotel Nacional, que aconteceria naquele mês de maio. Esclareceu que seria um texto longo, eis que o programa seria uma pequena revista, contendo inclusive espaços publicitários. Para acertarmos melhor os detalhes convidou-me para almoçar no dia seguinte no Restaurante Assyrius, que funcionava no subsolo do Teatro Municipal.
Assim fizemos, só que tive que esperar pela madame cerca de 45 minutos, eis que outros afazeres a prenderam no escritório. Almoçamos e combinamos sobre a forma do texto que, teria que conter uma pequena biografia, detalhes das outras visitas de Dizzy ao Brasil e tudo que interessasse aos cultores do Jazz. Prometi entregar-lhe o trabalho dois dias depois. Na oportunidade, perguntei-lhe se ouvia o meu programa ou me conhecia de outro lugar. Disse que não mas que tinha “ótimas informações a meu respeito” e nada mais acrescentou.
Confesso que não tive a menor dificuldade em confeccionar o texto. Aproveitei um capítulo que constaria de um livro que pretendia escrever (O Jazz nos palcos do Rio de Janeiro) e as informações do meu arquivo. Corrigi o texto várias vezes e concluí que o trabalho estava bom, com muitas informação e até casos que pouca gente conhecia, como o susto que Gillespie deu em um casal que tentava sair do teatro no meio do espetáculo. Dizzy desceu do palco, pulou uma frisa e interceptou o casal no meio do corredor perguntando se não estavam gostando do espetáculo. Ante a surpresa e as gargalhadas da platéia os dois voltaram para seus lugares.
Dia marcado, a madame apareceu para pegar o texto e perguntou quanto me devia.
Cobrei quinhentos (cruzeiros novos, velhos, cruzados, sei lá) e ela se assustou. Achou caro e ainda veio com o argumento de que pagara o almoço do “Assyrius”. Argumentei que fora convidado e que a época do escambo já terminara. Não ia trocar meu texto por uma refeição. Se quisesse o texto, estava à disposição. Caso contrário, procurasse outra pessoa para a tarefa. Constrangida, fez o pagamento, pegou o texto e se retirou.
Mas a resposta não se fez esperar. Gillespie apresentou-se no Hotel Nacional nos dias 24 e 25 de maio. Não pude assistir aos espetáculos mas não tive dificuldades para arranjar um programa. Bonito, bem diagramado e com meu texto na íntegra. Só que, como não fui adepto do escambo, tive meu nome omitido do programa. Uma vingança perfeita da firma do seu Poladian.
Um colega advogado me propôs entrar com uma ação mas ponderei que não valeria a pena. A não ser que tivessem colocado algum “paraquedista” como autor do texto. Aí sim iamos brigar.
Grupo de Dizzy Gillespie que se apresentou :
Dizzy Gillespie (tp) – Sayd Abdul Al-Khabyyr (sb) – Walter Davis Jr.(p) – John Gregory Lee(b) – Nasyr Al-Khabyyr (dm)

http://cjub.com.br/historiasdojazz.html

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