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O calor de Buddy Rich

maio 22, 2013

Em março de 1961, chegava ao Rio o sexteto do baterista Buddy Rich para uma única apresentação na TV Tupi, realizada no dia 3. No mesmo dia, outra performance no Copacabana Palace. Partimos para a Urca, onde encontramos na porta da emissora os amigos Cláudio Cosme Pinto e Anfilófio Rocha Melo. Felizmente não havia problemas de porteiro e chegamos ao estúdio sem nenhuma dificuldade. Os promotores do evento, que teve o patrocínio das lojas TONELUX, ao invés de uma apresentação pura e simples, resolveram inserir Buddy Rich como personagem dos “Espetáculos Tonelux”, que eram estrelados pela cantora Marlene e o humorista Hamilton Ferreira. Para tanto, criaram a velha história de um milionário que contrata o grupo americano para “animar uma festinha”. Nesse tempo não havia “videotape” e o programa ia para o ar “na raça”.
Aí começou o drama de Rich. Já de smoking, afinou cuidadosamente os tambores da bateria e voltou para os camarins. Faltando uns dez minutos para o início da “chanchada”, os refletores foram acesos e o diretor Mário Provenzano começou a dar as instruções de praxe. Qualquer coisa fez o programa atrasar e Rich ao ver toda aquela iluminação e o calor sufocante, voltou para o palco de camiseta, colarinho e gravata borboleta e reclamando que estavam querendo arrebentar o couro dos tambores, afrouxou a afinação.
De onde estávamos víamos Rich reclamar em altos brados da desorganização e da irresponsabilidade do pessoal da TV. Finalmente, foi dado o último sinal e o espetáculo começou. Ante um diálogo ridículo entre Marlene e Hamilton Ferreira, Buddy Rich esperou a deixa e “entrou com tudo” no tema de abertura (“Clap hands here comes Charlie”). Em seu solo, a impressão que tinhamos era que despejava toda a sua raiva nos tambores, mostrando entretanto uma técnica irrepreensível.
E digo mais. Dos bateristas a que assistí, inclusive Elvin Jones, Eddie Grady, Art Blakey, Jimmy Campbell e Tony Williams, entre outros, Rich foi o que mais me impressionou em termos de técnica, divisão e desenhos rítmicos.
O elenco tentava acompanhar, fazendo caras e bocas, o acelerado ritmo do sexteto, procurando mostrar que “sabiam das coisas”. Mas, o “script” não foi seguido e após mais quatro números (I Remember Clifford – Caravan – Summertime e Blowin’ the Blues Away), aquela edição de “Espetáculos Tonelux” terminou. Ainda sob a forte iluminação, os músicos suavam em bicas e autografavam atendendo aos fans. Rich já sem o paletó era só simpatia e convidava a todos para o show do Copacabana Palace, incluindo a garota propaganda Neyde (Perucas Lady) Aparecida. Fui procurar Morgana King para o ultimo autógrafo e fui encontrá-la escondida atrás das cortinas fugindo da forte iluminação que poderia “derreter sua maquilagem”.
Na saída Cláudio Cosme Pinto e Rocha Melo comentavam o espetáculo e pediram minha opinião. Ei-la: “Achei o grupo fantástico, Rich esplendoroso e um repertório bem escolhido. Agora com o calor eles poderiam ter homenageado um compositor brasileiro, o Braguinha e tocado “Alala ô”.

Para quem quiser a formação do grupo, aqui está: Buddy Rich(dm) – Sam Most(fl) – Mike Manieri(vb) – John Moris(p) – Wyatt Ruther(b) e Morgana King(vo).
http://cjub.com.br/historiasdojazz.html

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