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“O amigo Phil Woods”

maio 22, 2013

Conheci Phil Woods em 7 de agosto de 1956, durante um coquetel oferecido pela Embaixada Americana, no Clube de Seguradores e Banqueiros, para apresentar a banda de Dizzy Gillespie à imprensa. Foi um contacto mínimo até porque Gillespie catalisava todas as atenções e todos achavam que não podiam perder nada. Conversei rapidamente com Melba Liston e Billy Mitchell, enquanto solicitava os indispensáveis autógrafos não só na Encyclopedia de Leonard Feather como também no verso do convite. O mesmo sucedeu com os outros músicos, com exceção de Quincy Jones, que contava para um grupo os detalhes do desastre que vitimou Clifford Brown. Alí me demorei mais um pouco. De Phil colhi apenas o autógrafo e o cumprimentei após a estréia da banda na TV TUPI.
Vieram os festivais “São Paulo/Montreux” e no de 1980, Phil veio com o seu quarteto. Hotel Eldorado cheio de músicos, shows nos eventos paralelos e as indispensáveis procuras por novidades. Foi quando Coutinho me encontrou na portaria e informou que Phil Woods queria falar com a gente. “Impossível” respondi, “ele não me conhece!”
“Couto” então explicou que ele queria encontrar com quem o assistiu com a banda de Dizzy em 1956. Partimos para o apartamento do músico. Nos recebeu gentilmente e mostrou sobre a mesa uma série de partituras e explicou que não conseguia “fechar” os arranjos. Precisava de um “aditivo”. Esse aditivo era uma espécie de “chá moido”, que ele fumava num pequeno cachimbo. Foi convocado o Mooche local e logo, logo, chegava a santa erva para alívio do saxofonista. Mostrei-lhe então o convite do coquetel autografado pela banda e o seu autógrafo na Encyclopedia, pedindo que ele assinasse mais uma vez. Ele então escreveu o seguinte:
“For Lula once again ! 24 years later not so long next time I hope. Phil”
Ficamos mais um pouco enquanto Phil ordenava as partituras e se preparava para recomeçar o trabalho.
Durante a realização do curso “Introdução ao Jazz”, no Museu do Ingá, em Niterói, conheci Kurt Klauser, um suíço entusiasmadíssimo pelo Jazz. Tão animado que resolveu abrir um clube de Jazz no Rio de Janeiro. Convidou-me para um jantar na Casa da Suíça, onde expôs os seus planos. Ouvi atentamente e expliquei-lhe o seguinte: “Não ia dar certo. Primeiro, porque não havia público para, diariamente sustentar uma casa desse tipo. Teria que ter pelo menos um trio (piano, baixo e bateria) que tocasse para acompanhar solistas que eventualmente aparecessem. Ia encontrar dificuldades. Apareceriam os “bicões”, indefectíveis oportunistas, almejando tirar uma casquinha do projeto, etc., etc.
Não obstante, foi em frente e alugou o conhecido “Clube do Taco”. Gastou dinheiro em madeira, móveis de decoração e ao que parece, uma moderníssima aparelhagem eletrônica importada da Suíça. Quando iam começar as obras veio o “torpedo”. O dono da casa fazia uma série de exigências para o seu funcionamento: queria uma mesa para seis pessoas, com despesas grátis, diariamente, queria parte do faturamento da casa, e por aí vai. Klauser não teve outro jeito senão desistir do projeto e comunicar ao senhor Poladian que ficaria no prejuízo de duzentos mil dólares e que o negócio estava cancelado. (Eu avisei !)
Contei tudo isso para chegar ao meu terceiro encontro com Phil Woods . O Kurt, não obstante o prejuízo, resolveu contratar Phil para tocar no Copacabana Palace, fato que ocorreu em 21 de janeiro de 1990. O saxofonista veio sozinho e tocaria com músicos locais. Kurt alugou um Cadillac “rabo de peixe” para buscar Phil no aeroporto e levá-lo até o hotel. Posteriormente, deslocou-se até a Sala Cecília Meirelles, onde seria realizado o ensaio do grupo.
A formação de quinteto seria com Don Harris, americano aqui radicado, no trumpete, Luiz Avellar ao piano, Nico Assumpção ao baixo e Jimmy Duchowny, outro americano, que na época tocava bateria com o Idriss. Ao chegarmos ao ensaio, Phil nos reconheceu logo e desceu do palco para nos cumprimentar. Elogiou o local e em seguida voltou aos músicos para a escolha do repertório.
Nos reencontramos à noite, após o encerramento do show no Copacabana Palace. Estava irritado. Queixou-se que, apesar das recomendações feitas aos músicos sobre comportamento diante do público, nada foi observado. Queria todos de paletó e gravata e Don Harris além de tirar o paletó, bebeu água mineral pelo gargalo da garrafa em pleno palco. E concluiu: “O Jazz é uma música que exige respeito e para tanto temos que respeitar a quem nos vem assistir. Não abro mão disso!”
Falou!

http://cjub.com.br/historiasdojazz.html

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